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Caridade e Justiça no judaísmo

Caridade e Justiça no judaísmo e no idioma hebraico e latim (português)

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Caridade e Justiça no judaísmo

O que o judaísmo fala sobre caridade anonima?

No Judaísmo, a caridade (ou tzedaká) é vista como uma obrigação moral e espiritual, sendo um princípio fundamental da prática religiosa. A caridade anônima, em particular, tem um valor muito elevado na tradição judaica.

A tzedaká no Judaísmo não se resume a simples doações de dinheiro; é entendida como um ato de justiça social e responsabilidade, onde o doador age com humildade e sem esperar reconhecimento. A caridade anônima, então, é valorizada porque preserva a dignidade tanto de quem doa quanto de quem recebe.

A Torá e os textos rabínicos falam sobre diferentes maneiras de dar caridade, e entre essas, a caridade anônima é uma das mais elogiadas. No Talmud, por exemplo, está escrito que é muito importante dar a caridade para não expor a identidade do doador, para evitar o orgulho e para proteger a honra do receptor. Em Pirkei Avot (Ética dos Pais), um dos ensinamentos mais conhecidos diz que a caridade feita de maneira anônima é uma das formas mais puras de tzedaká.

De fato, o Mishná Tzedaká (o texto rabínico que trata da caridade) explica que a caridade feita sem que a pessoa saiba de quem a recebeu e sem que o doador saiba para quem está dando, é um ato muito superior, ao eliminar qualquer expectativa de reconhecimento e mantém o ato de bondade como uma expressão pura de generosidade.

Além disso, uma famosa citação rabínica enfatiza que a melhor forma de dar caridade é quando se dá de forma anônima para a dignidade mútua ser preservada: "A caridade dada em segredo e sem se saber quem está dando ou recebendo é a mais elevada" (Talmud, Bava Batra 9b).

Portanto, a caridade anônima é uma das formas mais elevadas de praticar a justiça social e a bondade, ao refletir a intenção pura de ajudar sem esperar nenhum tipo de recompensa ou reconhecimento.

Caridade / Justiça

Justiça

A palavra central é צֶדֶק (tsédek) = justiça, retidão.

Deriva da raiz צ-ד-ק (ts-d-q), que significa “ser justo”, “ser correto”.

Da mesma raiz vem צדקה (tsedaká) = justiça praticada, que no uso rabínico passou a significar também caridade, no sentido de dar ao necessitado por dever de justiça, não somente por benevolência voluntária.

Relação com “Caridade”

A relação é direta: tsedaká (caridade) vem de tsedek (justiça). Ou seja é uma obrigação de justiça, não mero altruísmo.

Latim

Caritas = caridade, afeição, amor (usado no latim cristão como tradução do grego agápē).

Deriva de carus = caro, estimado, amado.

Evolução semântica: de “preço alto” → “algo de grande valor” → “afeto profundo” → “amor desinteressado” → “caridade”.

Relação

Hebraico: caridade = dever de justiça.

Latim: caridade = amor elevado, desinteressado.

Assim, no hebraico a ênfase é jurídico-ética (justiça social), enquanto no latim-cristão é afetivo-teológica (amor ao próximo).