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Como a Cultura Woke está destruindo a Comunidade FOSS

A busca por uniformidade de pensamento disfarçada de ética e justiça

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8 min read
Como a Cultura Woke está destruindo a Comunidade FOSS

Há um padrão recorrente: introdução de políticas ou ações baseadas em ideologias progressistas (como códigos de conduta estritos ou banimentos por motivos políticos) que, segundo a narrativa, fragmentam as comunidades open-source, afastam contribuidores talentosos e desviam o foco do desenvolvimento técnico para questões sociais ou políticas.

Obviamente, essa interpretação pode ser contestada por outras visões nas respectivas comunidades.

A cultura woke é anti-diversidade, já que prega um coletivismo onde todos agem e defendem um único ponto de vista e comportamento.

A defesa do individualismo pode ser interpretada como uma luta pela diversidade, especialmente se considerarmos que cada indivíduo, em sua singularidade, representa uma “minoria” única. Essa perspectiva parte do princípio de que cada pessoa possui características, experiências, valores e formas de pensar que a tornam distinta das demais.

Assim, ao valorizar o individualismo, estamos, de certa forma, promovendo a ideia de que cada indivíduo tem o direito de ser quem é, sem ser diluído em uma massa homogênea ou em padrões impostos pela coletividade.

Logo, este “woke” progressista é tudo… menos democrático e pró-diversidade, já que surgiu, em universidades americanas, sob táticas de excluir, silenciar e impedir qualquer voz dissonante ao movimento.

Soma-se ao fato a imposição das políticas, agendas e desejos de empresas que financiam e colaboram com alguns destes projetos. As empresas fingem que adotaram estes wokes e eles, por subserviência, irão impor tudo o que ordenarem, colocando acima dos reais objetivos da comunidade e da saúde do software e de quem os utiliza. Todas elas buscam lucro, são ambientes corporativos (nada livre ou democrático por aqui) e qualquer influência nas comunidades FOSS precisa ser monitorada. Não por acaso, todas elas passaram a abandonar a defesa woke (e removendo seus departamentos de DEI).

Abaixo, uma lista de projetos open source cujas comunidades foram apontadas como tendo imposto elementos da chamada “cultura woke”, resultando em atritos significativos:

  1. NixOS

    • A comunidade do NixOS realizou o que foi descrito como uma “purga” de contribuidores que não compartilhavam visões políticas alinhadas com a liderança, rotulando-os como “nazistas” de forma difamatória. Isso incluiu a exclusão de pessoas que não apoiavam fortemente ideias, como uma “vaga exclusiva para trans” em comitês de votação. O atrito escalou ao ponto de forçar a abdicação do fundador, Eelco Dolstra, após acusações de exclusão de minorias, apesar de faltarem de evidências concretas de tais ações.
  2. openSUSE

    • A comunidade do openSUSE foi acusada de realizar banimentos em massa de contribuidores e usuários com inclinações políticas consideradas indesejáveis, chamando-os de “carne podre” que precisava ser “cortada”. Isso foi interpretado como uma tentativa de impor uma agenda política progressista, alienando membros que não se alinhavam a ela.
  3. GNOME

    • O projeto GNOME baniu contribuidores, incluindo alguns proeminentes, por menções ao Lunduke Journal ou por expressarem opiniões divergentes da linha “inclusiva” da liderança. Reuniões secretas foram realizadas para anular votos da comunidade, sugerindo uma imposição autoritária de valores woke sobre o projeto.
  4. Python

    • A comunidade Python suspendeu um de seus membros mais destacados por “curtir” um esquete antigo do Saturday Night Live, considerado ofensivo sob os padrões atuais de sensibilidade cultural. Isso foi visto como um exemplo de aplicação rígida de normas woke, gerando controvérsia e divisão.
  5. Ladybird Web Browser

    • O criador do Ladybird foi atacado por ativistas que o acusaram de ser “apoiador da escravidão humana” e “transfóbico”, sem evidências claras, como parte de uma campanha de difamação baseada em supostas posturas políticas. Isso gerou um racha entre apoiadores do projeto e críticos que buscavam impor uma visão de “inclusividade”.
  6. Hyprland (com envolvimento da Red Hat)

    • Motivo: A Red Hat, uma força influente no ecossistema open source, foi acusada de pressionar o projeto Hyprland para silenciar indivíduos com visões políticas “indesejáveis”, como parte de uma política de DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão). Isso criou tensões entre a comunidade do projeto e as imposições corporativas.
  7. Elementary OS e Asahi Linux

    • Ambos os projetos declararam uma espécie de “guerra” contra nerds de “direita”, promovendo uma postura explicitamente anti-conservadora e alinhada a ideais progressistas. Isso resultou em alienação de usuários e contribuidores que não compartilhavam dessa visão, gerando atritos internos.
  8. Linux Kernel

    • O Linux Kernel, um dos pilares do FOSS, adotou um Código de Conduta (CoC) em 2018, baseado no Contributor Covenant, após pressão de ativistas que alegavam que a comunidade era hostil às minorias. O CoC substituiu o antigo “Code of Conflict” de Linus Torvalds, que era mais direto e focado em resolver disputas técnicas. Críticos, incluindo alguns desenvolvedores veteranos, viram isso como uma imposição de normas “woke” que priorizavam sentimentos sobre competência técnica. A controvérsia escalou quando Linus Torvalds se afastou temporariamente do projeto para “trabalhar em seu comportamento”, após anos de críticas por seu estilo abrasivo. Alguns interpretaram isso como uma vitória de ativistas progressistas, enquanto outros temiam que o CoC fosse usado para silenciar dissidentes ou punir opiniões impopulares. Embora o kernel continue funcionando bem tecnicamente, a adoção do CoC gerou debates acalorados em listas de e-mails e fóruns como o LKML (Linux Kernel Mailing List), com alguns contribuidores ameaçando abandonar o projeto.
  9. Debian

    • O Debian, uma das distribuições Linux mais influentes, enfrentou tensões internas relacionadas a iniciativas de diversidade e inclusão. Em 2019, o projeto lançou um “Diversity Statement” oficial, comprometendo-se a criar um ambiente mais acolhedor para grupos sub-representados. Isso incluiu eventos como o “DebConf Diversity Day” e esforços para aumentar a participação de mulheres e minorias. Alguns membros da comunidade criticaram essas ações como “virtue signaling” (sinalização de virtude), argumentando que o foco deveria permanecer na qualidade do software, não em políticas identitárias. Houve também controvérsias menores sobre a remoção de pacotes ou terminologia considerada “problemática” (como o debate sobre o termo “master” em repositórios Git). O Debian não sofreu uma ruptura significativa, mas os debates expuseram uma divisão entre os que veem a inclusão como essencial e os que a consideram uma distração.
  10. KDE

    • O projeto KDE, responsável por um dos principais ambientes desktop open source, adotou um Código de Conduta em 2008, atualizado ao longo dos anos para refletir valores de inclusão. Em 2021, durante a discussão sobre políticas de diversidade, alguns membros da comunidade foram acusados de “comportamento tóxico” por questionarem a necessidade de tais iniciativas, levando a advertências públicas e, em um caso, à suspensão de um contribuidor. Críticos alegaram que isso refletia uma tendência “woke” de punir dissidência, enquanto defensores argumentaram ser necessário para manter um ambiente saudável. O KDE manteve sua trajetória técnica, mas o incidente gerou discussões em blogs e redes sociais sobre até que ponto os CoCs podem ser usados como ferramentas de controle.
  11. Apache Software Foundation (ASF)

    • A ASF, que gerencia projetos como o Apache HTTP Server, enfrentou críticas por sua abordagem à diversidade e inclusão. Em 2020, a fundação publicou um relatório destacando esforços para atrair mais mulheres e minorias, o que incluiu workshops e políticas de moderação mais rígidas em listas de discussão. Alguns desenvolvedores veteranos reclamaram que isso desviava recursos de melhorias técnicas, enquanto outros apontaram que a ASF estava cedendo a pressões externas de corporações parceiras (como IBM e Google) que promovem agendas DEI. Um caso notável foi a remoção de um committer de um projeto menor por comentários considerados “insensíveis” em um fórum, o que gerou acusações de censura. A ASF continua sendo uma força dominante no FOSS, mas esses episódios alimentaram um debate sobre a influência corporativa e ideológica no open source.
  12. Ruby

    • A comunidade Ruby enfrentou controvérsias relacionadas a políticas de inclusão. Em 2017, durante a RubyConf, houve um foco significativo em palestras sobre diversidade e códigos de conduta, o que alguns desenvolvedores interpretaram como uma mudança para uma cultura mais “woke”. Um incidente notável foi a pressão para banir um palestrante de eventos futuros devido a postagens pessoais em redes sociais consideradas ofensivas, mesmo que não relacionadas ao Ruby. Isso dividiu a comunidade entre os que apoiavam a moderação e os que viam isso como uma caça às bruxas. A comunidade Ruby perdeu alguns contribuidores, mas o impacto técnico foi limitado, com o foco permanecendo em Rails e outras ferramentas.
  13. LibreWolf Browser

    • Após chiliques, o lider do projeto resolveu banir qualquer um que mencione o Lunduke Journal, bem como publique links e todo tipo de acusação infundada. E houveram afirmações no codeberg como: ‘o LibreWolf é “muito Woke”, possui lado político declarado e que certos tipos de pessoas deveriam ser erradicadas da face da terra(…)’
  14. Mozilla

    • A Mozilla se afunda em diversos eventos negativos, expliquei alguns aqui: https://esli.blog.br/mozilla-sob-ataque-o-que-aconteceu-com-o-firefox mas, os principais é ter deixado de lado o foco e desenvolvimento tecnológico do Firefox passando para a adoção, publicidade e defesa de agendas ideológicas progressistas (o que piora quando a fundação não só recebe dinheiro de doações, mas também da USAID). Por questões políticas, a Mozilla tomou ações pró-censura na Rússia, removendo acesso a extensões e ferramentas de privacidade e VPNs. Mas da mesma forma, defendeu censura na internet, moderação de conteúdo, remoção de perfis em redes sociais e militou contra redes descentralizadas em prol de ferramentas com controle centralizado.

Perceba: Em nenhum momento são pessoas contrarias as politicas DEI corporativas.
Na maioria das vezes essa insurgência censora veio devido o radicalismo na eleição americana, trata-se de uma exclusão de qualquer um contrario as ideologias das lideranças progressistas - caçando desde pessoas de direita, libertários, apartidários…
Outros foram silenciados apenas por questionar como estas politicas afetariam pessoas ao redor do mundo unidas em prol da evolução de um app.

Como muitos entendem que a resposta óbvia para “qual o efeito destas políticas numa comunidade FOSS” é “nenhuma”, surgiram vozes contra os Termos de Conduta. Como explico no post abaixo:

Novamente, esses casos ilustram um padrão recorrente no FOSS: a introdução de Códigos de Conduta, iniciativas de diversidade ou ações disciplinares baseadas em valores progressistas frequentemente gera resistência de uma parcela da comunidade que valoriza a meritocracia técnica acima de tudo.

Por outro lado, defensores dessas mudanças argumentam que elas são essenciais para tornar o FOSS mais acessível e sustentável a longo prazo.

Sendo casos sutis ou ações mais drásticas, todas elas refletem a tensão entre a liberdade individual e a imposição de normas e comportamentos coletivos “woke”.

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