Atenção: Artigo com conteúdo medico baseado em relato da minha experiência como paciente, estudante do tema e minhas conversas com o minha cirurgiã plástica.

CONTÉM IMAGENS FORTES CASO NÃO ESTEJA ACOSTUMADO COM TEMAS RELACIONADOS A MEDICINA!

Expansão de Tecido

A expansão de tecido é uma técnica moderna que permite ao organismo humano produzir pele nova para ser utilizada em qualquer parte do corpo. A técnica é muito utilizada para a reconstrução de mamas e também usado para reparar a pele danificada por defeitos congênitos, acidentes, cirurgia e em alguns procedimentos estéticos.
Expansão de tecido é um procedimento relativamente simples, que permite ao corpo “gerar” pele extra para uso na reconstrução em quase todas as partes do corpo. Um balão expansor de silicone é inserido sob a pele (uma bolsas de silicone, conectadas a uma válvula que podem ter diversas formas e volumes) próximo à área a ser reparada e, em seguida, gradualmente preenchido com soro ao longo de algumas semanas ou mais (através da válvula), fazendo com que a pele estique e cresça visando a obtenção de um retalho extra da pele para corrigir defeitos de diversas origens.

Este expansor é conhecido como Siltex® Becker™, possui diversos formatos e resumidamente, ele é vazio e possui uma mangueira para ser enchido com soro. Os implantes mamários, já são todos preenchidos por silicone (popularmente conhecido com o nome generalista de 'implante de silicone').

A expansão de tecido pode auxiliar qualquer pessoa que necessite de pele adicional. Homens, mulheres, crianças e idosos podem usufruir da técnica. O procedimento é muito utilizado na reconstrução da mama, quando não há pele suficiente para acomodar um implante permanente para restaurar a aparência natural da mulher. Também é uma opção para a reparação ou a substituição de áreas do couro cabeludo, em que o crescimento do cabelo faz com que seja difícil substituir tecido perdido com a pele de outras partes do corpo. A expansão de tecido geralmente produz excelentes resultados quando reconstrói algumas áreas do rosto e do pescoço, nas mãos, braços e pernas.

A expansão pode ser mais difícil nas costas, tronco, ou em demais áreas onde a pele é espessa. Se a área afetada estiver severamente danificada ou com cicatrizes ao redor da lesão, a expansão provavelmente não é uma opção, pois, o primeiro requisito é que a pele vizinha esteja saudável.

Além da reconstrução mamária e do couro cabeludo, este procedimento também é utilizado para a recuperação de queimaduras e lesões nos membros superiores e inferiores. Como em qualquer cirurgia, para realizar uma expansão de tecido, o paciente precisa ser submetido a uma série de exames. Suas condições serão avaliadas pelo médico cirurgião. Idade, peso, altura, sexo, histórico médico e condição da pele são algumas das condições avaliadas para determinar o tratamento. É neste período que o médico testa o paciente para avaliar se ele possui condições para realizar a cirurgia.

Meu Caso

Resumindo: Tive um acidente gravíssimo com fogo aos 3 anos de idade, que resultou em queimaduras de 3º grau em todo braço esquerdo (dos dedos até atrás do ombro), mãos e todo o rosto (na frente).
Não tive impactos nos olhos, nariz, boca ou orelhas e não tive danos nos sentidos (visão, audição, etc...) nem danos no sistema respiratório. Por menos de 1 centímetro não fui a óbito (3º grau no pescoço ou abdomen é morte certa e não tive estas partes afetadas).
Nos meses seguintes fiquei internado em estado grave, e nos 4 anos seguintes fui submetido a diversas cirurgias (plasticas, enxertos, etc...).

A medida que cresci e o corpo desenvolvendo, a cicatriz restante ocupou toda a área da bochecha esquerda e uma pequena mancha escura como lembrança na bochecha direita.
No braço, as cicatrizes se mantiveram na parte interna do antebraço e em todo o braço.
Dos 7 até os 29 anos não procurei retomar as cirurgias para correção (deveria ter feito aos 16 anos).

Krav Maga! - O Krav Maga foi um divisor de águas para mim (iniciei aos 26 anos, em 2017), adotei a filosofia do krav maga, sai do sedentarismo, e tento me superar a cada etapa vencida. Comecei a perceber dificuldade de respirar quando os treinos ficavam mais intensos, e como estava para graduar em mais uma faixa, fui ao médico.
Resultado: otorrino e a primeira cirurgia de 2020 (foram 4 procedimentos: sinusectomia maxilar, septoplastia, turbinoplastia e etmoidectomia) - Assunto para outro post, uma das melhores coisas na minha vida!
Com treinos intensos e chutes, agravei um problema: unha encravada (de ambos os dedões do pé, ou "haluxes"), podologia não resolvia de vez (apenas temporário), fui ao clinico geral anos atrás e ele apenas anestesiou localmente e arrancou (pior decisão que fiz! Cresceu mais encravada ainda além da dor horrível...). Por indicação de um ortopedista e médico do esporte, fui ao cirurgião plástico que além de resolver a vida dos meus pés (outro assunto para um novo post), me falou desta técnica e me decidi remover as cicatrizes que me acompanharam até então e nunca havia pensado seriamente sobre isto. Após algumas outras visitas e muita conversa, agendamos!

Vantagens

Não será removido pele de um local para reconstruir o outro (em casos de enxerto, seria da coxa ou nádegas), ou seja, menos cicatrizes e sem mexer em áreas normais/boas do restante do corpo.
Menos cicatrizes.
Quase a mesma textura e cor de pele, pois a mesma está sendo "gerada" ao lado.
A pele se mantém ligada à área doadora de sangue e de nervo, resultando num menor risco de necrose.
Vai crescer pelos.  Não na mesma intensidade, pois onde haviam numa área com por exemplo, 10 folículos pilosos (da onde surge os pelos), após o implante a mesma área terá um tamanho bem maior, mas com a mesma quantidade de folículo piloso.

No meu caso, um dos objetivos é formar barba QUASE que normalmente, tentando uniformizar o rosto.


Desvantagem

Após o implante, será necessário visitas ao ambulatório do médico para injetar soro através da válvula para esticar a pele.
Dependendo da área necessária para cobrir, o paciente ficará com uma protuberância visualmente desagradável  por 1 a 4 meses, dependendo do tamanho a ser coberto e da resistência a dor (devido a injeção do soro ele irá aumentar/expandir e isto poderá causar incomodo local também).

A causa das desistências deste procedimento é justamente esta: ficar com a deformidade pelo período entre o implante e o uso da pele desenvolvida.

Ficar com um implante de silicone no pescoço não é incomodo nem me causa vergonha. Mas creio que para muitos é o suficiente para desistir.

Riscos

A preocupação mais comum é a de que o expansor de silicone utilizado no procedimento rompa ou vaze enquanto estiver no corpo. Os expansores são rigorosamente testados e colocados com todo o cuidado e segurança, no entanto, pode haver vazamento. Se o expansor romper, a solução salina utilizada para encher o expansor é inofensivamente absorvida pelo sistema e o expansor é substituído com um procedimento cirúrgico relativamente pequeno.

Uma pequena porcentagem dos pacientes desenvolvem infecção ao redor do expansor. Esta situação pode ocorrer em qualquer momento, mas, na maioria das vezes, acontece algumas semanas após a inserção do expansor. Em alguns casos, pode ser que o expansor tenha de ser removido para que a infecção desapareça. Um novo expansor pode ser, então, inserido.

Pré-operatório

Seu cirurgião irá lhe dar instruções específicas sobre como se preparar para a cirurgia, incluindo orientações sobre comer e beber, fumar e tomar ou evitar certos medicamentos. Nada que diminua a circulação do sangue.
Se você fuma, seu cirurgião, provavelmente, vai pedir que pare de fumar por, pelo menos, duas semanas antes e após a cirurgia também.

Operatório

Anestesia local com sedativo ou anestesia geral.

Na maioria dos casos, a cirurgia inicial leva de 1 a 2 horas, dependendo do tamanho e da área de pele a ser expandida. O seu cirurgião irá começar fazendo uma pequena incisão ao lado da área da pele a ser reparada, e fará todo o possível para fazer a incisão a mais discreta possível. O cirurgião irá, então, inserir o balão expansor de silicone em um espaço criado sob a pele. O expansor contém um pequeno tubo e uma válvula de auto vedação que permite que o cirurgião possa, gradualmente, encher o expansor com solução salina. A válvula é geralmente deixada logo abaixo da superfície da pele.

No meu caso, foi anestesia geral e levou 4 horas.
O implante entrou por um leve corte (creio que 5 pontos no máximo) ao redor da orelha. E teve outros 4 pontos percorrendo a extensão do implante.
A válvula ficou atrás da orelha.

Pós-operatório

Logo após a cirurgia, ficará em observação pelo resto do dia ou até o dia seguinte, e provavelmente será ministrado Dipirona (analgésico para dor), Cetoprofeno (analgésico e anti-inflamatório)  e Cefazolina (antibiótico) através do acesso intravenoso (na veia!).

Após o implante colocado, a maioria dos pacientes consegue voltar à rotina normal em até 4 dias, e após a segunda cirurgia (remoção do implante e uso a pele estendida) uma semana.

Uma vez que a incisão tenha cicatrizado, você deverá retornar ao consultório do cirurgião periodicamente para que se possa injetar soro fisiológico no expansor. Com o crescimento do expansor, sua pele vai esticar. Em algumas pessoas, este procedimento pode causar desconforto.
A cirurgia inicial para inserir o expansor causa, na maioria dos pacientes, um desconforto temporário que pode ser controlado com medicação prescrita pelo médico. Pode haver, também, certo desconforto nas vezes em que a solução salina é injetada no expansor, no entanto, dura apenas 1-2 horas.

Sabe quando a pele incha por uma picada de inseto? E fica aquela sensação de rigidez e que a pele esticou? Aumente em 10X a sensação.

Segunda cirurgia

Quando a pele esticou o suficiente para cobrir a área afetada, você será submetido a um segundo procedimento para remover o expansor e reposicionar o tecido novo. Na reconstrução de mama, a cirurgia requerida para remover o expansor e inserir o implante permanente é relativamente breve. Cirurgia mais complexa para reparar a pele do rosto e o couro cabeludo demanda mais tempo e pode exigir mais de uma sequência de expansão para finalizar.
Não existem pontos externos na cirurgia Plástica de Expansão de Pele, utiliza-se uma cola cirúrgica em que não existe a necessidade de pontos externos.


Em geral, os resultados obtidos pela expansão de tecido são melhores que os resultados dos demais métodos usados para reconstruir ou reparar a pele danificada. Mas, lembre-se, de que o objetivo é melhorar e não atingir a perfeição. Para a maioria dos pacientes que se submetem à expansão de tecido, o procedimento melhora drasticamente a aparência e a qualidade de vida após a cirurgia. Se você é fisicamente saudável, psicologicamente estável e realista em suas expectativas, provavelmente ficará bastante satisfeito com a nova aparência.

Minha cirurgia e o contratempo

Expansor de pele do tipo Becker Siltex (desconheço a marca deste)

Acima está a foto do expansor que foi implantado no meu pescoço. Ele possui em torno de 25cm de comprimento, aparentemente seu volume total deve ser quase 700ml.

Mesmo medindo 1,84cm de altura e ser largo (pesado rrsss), este expansor ficou muito grande no meu pescoço, no pós operatório começou a ficar roxa a região, mesmo sob medicação de vaso dilatador, houve um edema (manchas escurecidas típicas da insuficiência venosa, obstrução do retorno venoso) já que o implante estava impactando a circulação de sangue.

Dia seguinte ao implante
Terceiro dia e tecido morto se expandindo

No terceiro dia foi decidido pela remoção do implante já que o medicamento não teve efeito desejado.

Após a remoção, todo tecido afetado pelo implante estava perdido.

Terceira cirurgia: Foi necessário realizar uma cirurgia para desbridamento (Debridamento) para a remoção do tecido 'desvitalizado'.

Após o desbridamento, pontos por toda extensão onde ficou o expansor
Uma semana após o debridamento
20 dias após o debridamento
45 dias após
Primeira semana de Junho

A sequência de datas foi: em 04/03/2020 colocado o implante. Em 09/03 foi removido e em 17/03 realizado o desbridamento.
Durante o mês de Abril e Maio realizei procedimentos (curativo, pomada, injeção local) para remover a cicatriz deixada pela remoção da pele danificada pelo implante.

Ainda estou realizando os procedimentos injeção de cortisona (triancinolona) dentro da cicatriz para reduzir o inchaço e impedir a hiperprodução do colágeno (que forma a tal da 'queloide').

A expectativa é em Outubro colocar o implante novamente e quem sabe, iniciar 2021 com novo rosto.

Mesmo com tudo ocorrido que descrevi acima (e a pandemia do covid-19), 2020 foi um dos melhores anos que tive, em todos os campos de minha vida. As 5 cirurgias que realizei (pés, otorrino, implante, remoção e desbridamento), bem como minha jornada no krav maga, carreira profissional e projetos paralelos, não tenho do que reclamar e estou ansioso para prosseguir com este expansor de pele.